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Entenda o que é minimalismo e como ele pode transformar a sua vida

Alguma vez você já questionou profundamente os valores em que acredita e que defende? Já se indagou acerca dos propósitos que guiam suas ações, ambições e o seu trabalho? Aliás, há um propósito?

Se você se permitir alguns momentos de atenção, vai perceber que, a todo momento, a televisão, as redes sociais, os vídeos, os filmes e, às vezes até os livros, estão nos advertindo e notificando sobre todas as coisas que, então, precisamos ter, a fim de nos sentirmos completos.

O minimalismo vem mostrar que há outro espectro, através do qual você pode entender a vida – e que é totalmente livre e aberto para os seus ideais e desígnios.

Contraposição ao consumismo

Como insurgir ao consumo enquanto, a todo o momento, o mercado nos estimula – e nos ordena – a comprar? Estamos atentos aos nossos objetivos (materiais), ao passo que, uma ou outra vez, precisamos checar as redes sociais e, é claro, não podemos esquecer de manter uma boa forma.

Aparentemente, não há tempo para ser feliz – aliás, acreditamos estar acumulando riquezas e bens, como se eles fossem capazes de pagar pela felicidade (algum dia, mas não hoje).

Estamos tão absortos pela bagunça mental, física, digital e profissional que, no momento em que buscamos algum sentido para toda essa carga, desencadeamos ansiedade, pânico, dentre uma série de outros problemas muito nocivos à saúde.

O minimalismo se contrapõe a todo o tipo de excesso, e quando começamos a nos dar conta de que esses acúmulos (mentais, profissionais, emocionais e materiais) não são substanciais como imaginávamos, nos tornamos livres para desapegar de muitos deles, e finalmente perceber que eram meros óbices àquilo que realmente importa.

O que é minimalismo?

Em poucas palavras, minimalismo é um processo constante de definição daquilo que acrescenta valor à sua vida – em se tratando de objetos, este valor é majoritariamente utilitário, mas esse conceito pode ser estendido às relações interpessoais, a um emprego, a compromissos, e a quaisquer outras circunstâncias que interfiram no seu dia a dia. A ideia é manter na sua vida apenas aquilo que faz sentido para você, e  literalmente excluir o resto.

Não raro buscamos adquirir objetos que validem nossa personalidade; precisamos (ou achamos que precisamos) reafirmar nosso estilo, nossos gostos e nossas crenças através de mercadorias.

Outrossim, muitas vezes mantemos objetos ou relações que sequer fazem sentido para nós, em razão de apegos emocionais desnecessários. Presentes, roupas esquecidas no armário, coisas compradas de modo impensado e que não mais servem aos seus propósitos: nada disso serve ao minimalismo, porque nada disso serve a você.

Minimalismo é sobre propósito

A ideia do minimalismo não se restringe a tão somente diminuir o seu número de posses. Mais importante do que isso, é uma questão de “ser”: uma pessoa mais focada; alguém consciente daquilo que realmente é importante e acrescenta valor à sua vida; um ser desperto e, tanto quanto possível, livre da ilusão de que um status seria capaz de nos definir enquanto pessoas.

Ser um minimalista é estabelecer prioridades, focar em seus objetivos e não deixar que cobranças, julgamentos e investimentos desnecessários (de qualquer natureza) tirem sua atenção daquilo que importa.

Ainda que o objetivo seja atingir um status social alto, se é isso o que realmente traz sentido à sua vida, o minimalismo oferece uma perspectiva muito válida, porque ele permite que você repense seus valores, escopos e atitudes.

O minimalismo é muito mais do que um estilo de vida: é uma jornada de autoconhecimento.

É ter mais tempo

No que você investe o seu tempo? Talvez uma das frases mais corriqueiras da vida adulta seja “eu queria muito… mas não tenho tempo”. Minimalismo é sobre priorizar aquilo que te dá prazer, que traz felicidade, sem adiar mais as suas paixões – a sua arte.

É claro que existem circunstâncias que nos limitam (especialmente quando essas circunstâncias são aquelas que provêm nosso sustento), no entanto, ao perceber que você não precisa realmente de tudo o que acredita precisar, até mesmo essa contínua cobrança interna de sempre dever ser melhor e ganhar mais é posta em questionamento.

A urgência dos acontecimentos cotidianos nos faz esquecer que, às vezes, tudo o que precisamos é beber uma xícara de café, observar o céu, dar umas risadas com quem a gente ama ou tirar os sapatos e colocar os pés na grama. Pequenos momentos de felicidade são possíveis – e mais benéficos do que você imagina.

Libertação do apego e compulsão por posses

Enquanto a sociedade delira coletivamente que “ter mais” é sinônimo de realização, o minimalismo vem, por meio de uma perspectiva diferente, demonstrar que ser uma pessoa realizada independe de posses.

O viés minimalista compreende que a felicidade não é um estado a ser conquistado ou adquirido permanentemente: é um sentimento que se manifesta sob diferentes formas, de acordo com as aspirações e particularidades de cada ser. Se somos seres individuais, porque o conceito de felicidade seria generalizado?

Nesse sentido, o minimalismo traz liberdade da paixão pelo consumo, porque ensina que a realização deve ser buscada em outros “lugares” que não própria ou necessariamente físicos.

Ser feliz é estar atento à vida, aos momentos de descontração, às gentilezas, aos sons e aos toques – e nada disso se adquire ou se mantém, tudo é passageiro, a não ser o ‘agora’.

O conceito de minimalismo é volátil, visto que, para cada ser, ele atua de maneiras diferentes.

O propósito, entretanto, é invariável: ao remover objetos do espaço físico e cobranças do emocional, se cria espaço para que possamos manifestar, não através de posses, mas de nós mesmos, quem realmente somos e o que queremos. Trata-se de ser, fazer e, por último, ter.

Muitas pessoas vivem em condições mínimas, sobrevivendo com aquilo que se tem, o que não significa que sejam mais ou menos felizes, porque aí existe um fator circunstancial mais amplo. Mas, utopicamente, se o homem se reeducasse como minimalista, talvez a distribuição de posses, riquezas e bens seria muito diferente – e ninguém estaria preocupado em conquistar ambições, porque estaria ocupado agradecendo ao que se tem.

5 Comments

  1. Lindo Bibi, parabéns pela iniciativa, o mundo necessita de mais pessoas iguais a vc…abração

  2. NEIVA ELISANE DA CRUZ says

    Como é gratificante ver nossos pequenos crescendo e ficando gigantes em sabedoria, em pessoa, em humanidade. Admiro -te demais! Ser iluminado que Deus me privilegiou em conviver.

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