Veganismo
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Não é possível que você suporte a barra

De olhar nos olhos do que morre em suas mãos

E ver no mar se debater o sofrimento

E até sentir-se um vencedor neste momento

Talvez você não lembre, ou quem sabe sequer tenha conhecimento dessa estrofe, que foi composta por Erasmo Carlos e, no ano de 1981, cantada por Roberto Carlos em uma de suas músicas mais emblemáticas, intitulada “As baleias”.

Na época, as causas ecológicas, como as de proteção ambiental e animal, ocupavam um espaço muito pequeno dentro dos cenários cultural, político e econômico – o que, felizmente, vem mudando de forma gradual.

Roberto Carlos, por sua vez, transforma em verso uma crítica expressiva à caça às baleias, em que exprime indignação frente à postura daqueles que se calavam, consentiam, relevavam e eram adeptos a essa prática, enquanto uma quantidade absurda de baleias vinha sendo vitimada pelas, então, mãos humanas.

Não é possível que no fundo do seu peito

Seu coração não tenha lágrimas guardadas

Pra derramar sobre o vermelho derramado

No azul das águas que você deixou manchadas

Apesar de se tratar de uma prática secular, a caça comercial às baleias não é, de fato, necessária para a humanidade nos dias de hoje. É correto afirmar que, após a Segunda Guerra Mundial, a carne das baleias se tornou um recurso importante para suprir as necessidades alimentares de países como o Japão, contudo, o consumo da carne já não é tão popular, sendo a prática da caça comercial, portanto, sustentada principalmente para outros fins, como a extração de óleo, por exemplo.

Ainda assim, atualmente nenhuma indústria depende exclusivamente das baleias como fonte para o manejo de suas atividades e fabricação de seus produtos – mas isso não impede a caça, assim como o fato de não precisarmos de qualquer insumo de origem animal, não impede a exploração e os maus-tratos a eles.

Em 1986, a International Whaling Commission (ou, em Português, Comissão Baleeira Internacional) proibiu a caça às baleias, haja vista que essa prática atingiu números alarmantes, e se tratava de uma ameaça real à sobrevivência das espécies. Para se ter uma ideia, já na década de 1930, a estimativa era de que pelo menos 50.000 baleias fossem mortas anualmente.

Foi por conta dessas circunstâncias que, 5 anos antes da vedação, o Brasil já reproduzia em seus rádios, aparelhos de televisão e mesmo com suas próprias vozes, os versos cantados por Roberto Carlos:

Seus netos vão te perguntar em poucos anos

Pelas baleias que cruzavam oceanos

Que eles viram em velhos livros

Ou nos filmes dos arquivos

Dos programas vespertinos de televisão

A medida tomada pela WIC, no entanto, foi estabelecida com caráter temporário (até que as espécies ameaçadas se recompusessem). Infelizmente, a caça continuou ocorrendo de forma clandestina, mas uma vez estabelecida a proibição, sua ocorrência se deu em menor escala.

Hoje, entretanto, no dia 13 de setembro do ano de 2018, o Brasil está sediando uma votação para que seja liberada a prática de caça às baleias novamente e, não obstante a vedação de 1986 tenha sido dita temporária, legalizar essa prática novamente trata-se de um retrocesso a nível mundial.

É por respeitar todas as formas de vida, que me posiciono veementemente contra essa possível involução. Não quero cantar “As baleias” para os meus filhos, senão para mostrar-lhes história; não quero que a minha geração silencie frente a essa causa – o gosto do silêncio é amargo.

Como é possível que você tenha coragem

De não deixar nascer a vida que se faz

Em outra vida que sem ter lugar seguro

Te pede a chance de existência no futuro

Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos

Vai te fazer um verdadeiro vencedor

Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos

Numa canção que fala muito mais de amor

#SalvemAsBaleias

 

 

4 Comments

  1. Que texto foda! E que título provocativo! Bem feito pra enganar todo mundo kkk
    Eu não sabia do significado “oculto” da música e toda a história por trás dela.

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