Artigos, Minimalismo, Organização
Comments 2

Minimalismo na prática: como (e por que) abrir espaço no guarda-roupas?

Talvez você, assim como eu há algum tempo atrás, sinta uma certa segurança ao olhar para o seu guarda-roupas e o perceber lotado. Talvez, porém, somente o mantenha lotado por ter medo ou dificuldade de desapegar de algumas roupas. Ou, ainda, é possível que você não aguente mais possuir mil roupas e ainda assim ter a sensação de que não tem o que vestir.

Os motivos que levam você a manter objetos e roupas de que não precisa, em realidade, podem ter diversas origens, mas é muito provável que eles não sejam sustentáveis – nem sob a perspectiva econômica e muito menos do ponto de vista prático.

Tomando como um fato que você não precisa de todas as roupas de que o seu armário dispõe, o que é uma realidade para muitas pessoas que, assim como eu, têm esse privilégio, existem muitas razões e muitas maneiras que você pode adotar para “destralhar” esse ambiente, então, vim apresentar algumas delas.

O decluttering libera espaço físico e mental

Decluttering é o ato de livrar-se daquilo que não é necessário. Esse termo, amplamente utilizado na atualidade, sugere que tudo aquilo que não acrescentar valor ou utilidade à sua vida, deve ser retirado do seu espaço físico. É claro que isso vale também para questões afetivas, profissionais e pessoais, mas isso é assunto para outro post.

Abrir espaço físico no ambiente em que vivemos ou frequentamos (como a sua mesa de trabalho, por exemplo), proporciona uma clareza mental expressiva, porque a sua mente pensante está diretamente ligada com as suas ações (e portanto, o seu espaço físico). Se um deles está cheio de tralha, naturalmente o outro também estará.

E ao contrário do que muita gente pensa, ter equilíbrio mental não é pré-requisito para organizar um ambiente saudável – muito pelo contrário. Para atingirmos um nível de clareza mental maior, com mais foco, disciplina e produtividade, precisamos ativamente construir essa clareza ao nosso redor. É muito mais prático e até mesmo prazeroso estar em um local organizado e funcional.

Pense no seu quarto: quando ele está bagunçado e você precisa estudar, não parece que, automaticamente, você sente preguiça? É porque a aparência e o caráter utilitário do que você tem no seu entorno influenciam (e muito!) a sua postura diante das situações. Se você preserva um ambiente forrado por objetos que remetem a situações ruins, por exemplo, é muito provável que o seu ânimo, nesse lugar, não seja dos melhores.

O que não é mais útil para você, pode ser útil para outras pessoas

A primeira vez que resolvi tirar do meu guarda-roupas tudo o que eu não usava, não me sentia confortável usando ou que não mais expressava o meu estilo, enchi 9 sacolas de 30 litros com roupas boas e calçados pouco usados. Esse resultado rendeu doações para duas instituições de caridade e ainda para alguns conhecidos que costumam trabalhar no bairro em que eu moro.

Saber que essas roupas que, para mim, não tinham valor algum, se tornaram valiosas para outras pessoas, já fez valer o trabalho, porque além de um exercício de desapego, perceber que tenho condições de efetivamente ajudar pessoas que precisam, me fez mais grata e solidária.

Organização e praticidade

Se uma das razões pelas quais você ainda não começou o seu decluttering é a falta de tempo, vou te contar uma coisa: priorizar essa limpeza e renovação de ambiente é, literalmente, criar mais tempo para o seu cotidiano. Isso porque ao eliminar todos os objetos que não são, efetivamente, úteis ou necessários do espaço físico, estamos eliminando também aqueles vários minutos que gastamos para procurar uma peça de roupa perdida numa pilha dentro do armário, ou para escolher o que vestir.

Ter menos roupas, aliás, não significa necessariamente ter menos opções do que vestir. A chave é manter peças que se harmonizam umas com as outras, de forma que você possa criar looks variados apenas combinando as peças entre si.

Além disso, é muito mais fácil organizar um guarda-roupas com mais espaço e menos tralha, sem contar que, esteticamente, o minimalismo cai bem em qualquer móvel e cômodo da casa. Não é à toa que ele vem ganhando cada vez mais credibilidade na arquitetura, decoração e design.

Beleza, mas… Como faz?

Desapegar de objetos – e principalmente das roupas – pode ser bem difícil no começo. Mas o primeiro passo é, justamente, focar no outro aspecto desse processo: a libertação, o desapego e o sentimento de renovação. Se você considerar todos os benefícios que o minimalismo pode trazer, a dificuldade fica automaticamente em segundo plano, e isso facilita tudo!

Superada a fase da resistência, é hora de começar. Existem várias técnicas para facilitar o desapego, ou para verificar se determinadas peças são realmente essenciais para você. Vou colocar aqui os 4 passos que, segundo o meu entendimento, são os mais importantes ou, pelo menos, os mais eficazes.

  1. Categorize suas roupas

Uma das técnicas que mais me ajudou (se não a que mais ajudou entre todas), foi separar as minhas roupas em três categorias: úteis, para doar/vender e dúvida. Na primeira pilha, coloquei todas as roupas que eu realmente uso muito – e nessa hora você precisa ser sincero consigo -; na segunda, coloquei todas as roupas que não usava e que poderiam ser úteis para outras pessoas e, na terceira, deixei as roupas que não usava com muita frequência, mas que não tinha certeza do que fazer com elas.

Deixei a pilha das doações/vendas de lado e, com as outras duas, procurei criar looks que fossem compatíveis entre si, assim, consegui visualizar com quais peças eu teria mais dificuldade para efetivamente vestir no dia a dia. Essas peças, coloquei na pilha de doações. As demais, mantive mas nem tanto (já vou explicar).

O resultado dessa categorização me rendeu três benefícios maravilhosos: pude doar muitas roupas, meu roupeiro ficou 100% mais organizado e prático e, por fim, ganhei alguns temers vendendo algumas peças pelo instagram.

  1. Encaixote suas dúvidas

Lembra que eu disse que “mantive mas nem tanto” algumas peças da pilha das dúvidas? Então, eis o porquê: com as roupas de que não tinha certeza se queria manter ou não, eu fiz uma das técnicas que aprendi ouvindo o podcast  do “The minimalists”. Coloquei essas roupas dentro de uma caixa e deixei lá por 30 dias.

Passados esses 30 dias, abri a caixa e selecionei todas as peças de que senti falta durante esse período (na verdade, não selecionei nenhuma, porque simplesmente não fizeram falta). As demais (ou seja, todas), eu doei ou vendi.

  1. Crie uma paleta de cores

Talvez pareça um pouco radical (mas, hey, estamos falando de minimalismo) que eu sugira que você limite suas roupas a uma paleta de cores específica. Acontece que, na verdade, isso ajuda muito tanto na montagem dos looks quanto nas escolhas na hora de comprar roupas novas.

A dica é a seguinte: estabeleça as cores de que você gosta, principalmente baseado nas cores que você gosta de vestir e que fazem você se sentir bem. Não é necessário limitar o seu guarda-roupas a três, quatro, cinco cores. A definição cabe a você.

Minha paleta de cores é próxima disso: preto, cinza, branco, vermelho escuro (sei lá, tipo vinho, não sou boa em nomes de cores), verde musgo, azul escuro e marrom. Isso me ajuda a, na hora de comprar, escolher algo que eu sei que vai combinar com, pelo menos, alguns dos itens que já tenho.

  1. Faça escolhas inteligentes

Na hora de escolher o que manter, o que doar ou o que comprar, é importante ter em mente o caráter utilitário das roupas. Uma escolha inteligente, geralmente, demanda tempo e análise. Você não precisa fazer nenhuma escolha pra ontem.

Observe o seguinte: quando for comprar, pergunte-se realmente precisa da roupa, e se a ausência dela causar uma falta, é porque compra-la provavelmente será uma escolha inteligente. Quando quiser se desfazer de alguma roupa, preste atenção nessa mesma sensação de falta, e baseie sua decisão nisso.

Não limite sua observação a questões somente estéticas, tampouco a questões somente relacionadas ao conforto. Analise o contexto todo, pensando em como aquela peça pode ser útil para você e ao mesmo tempo te trazer conforto e beleza (este último, somente no caso de ser de seu interesse).

 

Por fim, tudo o que você precisa fazer é agir <3

Ah, e caso tiver dúvidas, ou estiver precisando de uma ajudinha extra, é só me chamar nos comentários ou na página de contato.

Muita luz e muito amor pra você! Obrigada pela leitura!

 

2 Comments

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.