Vida e propósito
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Quem vai salvar o Brasil?

Talvez você, assim como muitos brasileiros, esteja esperando que agora as coisas mudem para melhor. Ou talvez, como muitos outros, esteja temendo o pior. De qualquer modo, eu sinto muito pelo que vou dizer: nenhuma figura atrelada ao poderio político – jamais – salvará o nosso país.

Enquanto os partidos políticos movem suas peças num jogo corrompido pela ilusão do poder, o povo fica à mercê das eventuais mudanças de suas cartadas. Esquerda, direita, centro. As opiniões políticas divergem, e embora eu mesma tenha certas convicções relativas à política, preciso admitir que, no fim das contas, qualquer das ideologias sente fome de poder e, portanto, nenhuma delas, por mais benéfica que seja ou aparente ser, é capaz de salvar um brasileiro sequer.

Sabe por quê?

Porque nós somos os nossos próprios heróis. Sempre fomos. Nós resistimos por gerações até chegarmos aqui, para hoje, ter de enfrentar, mais uma vez, o nosso maior inimigo: nós próprios.  Entende?

Nietzsche disse que “aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.

Um governo pode prover proteção, educação e amparo (e, em realidade, provê-los não seria nada além do mínimo de que são compostas suas atribuições), ou o governo pode negar tudo isso ao seu povo; pode incentivar o exercício da liberdade, ou pode tolher a liberdade daqueles que não se sujeitam ao seu poderio; pode amparar os desamparados, ou pode desamparar a todos. Seremos sempre, querendo ou não, meros reféns.

No entanto, nenhum governo poderá decidir o que cada indivíduo faz com a abundância ou com a escassez. Não há Estado capaz de escolher o que sentimos ou a maneira como lidamos com a nossa liberdade ou com a falta dela. Em qualquer hipótese, podemos escolher nos rebelar ou aceitar calados. Podemos escolher lutar, nos acovardar, ou resistir.

A luta e a resistência têm suas divergências: embora ambas se fundamentem na busca ativa por uma realidade melhor, cada sujeito tem uma ideia particular de realidade, e enquanto a resistência entende isso, a luta simplesmente desponta, muitas vezes sem sopesar as consequências. A luta tem visão limitada, a resistência, percepção.

Às vezes a luta é inevitável – ainda bem. Foi através da luta que manifestamos, enquanto humanidade, muitos aspectos de nossa evolução; o confronto também ensina. Mas não fosse a resistência, não estaríamos aqui para perceber o quanto evoluímos. Resistir é preciso. Sempre. É por isso que eu te convido a resistir.

E quando subjugados a determinadas circunstâncias, talvez tenhamos que abandonar certas convicções e nos reinventar diante da realidade – mas sem nunca perder a essência. Isso seria covardia.

Resistir significa não ceder, opor-se, defender-se – essas são as lutas inevitáveis. Mas resistir também quer dizer conservar, subsistir. É preciso sabedoria para discernir em que momentos a resistência assume cada uma de suas facetas, e essa sabedoria reside dentro de cada um de nós, naquele lugar místico a que chamamos coração, alma, ou até mesmo Deus.

Acessar essa lembrança é uma tarefa árdua. Mas esse é o momento de fazê-lo. Já esperamos demais.

Uma tatuagem no peito da pessoa que mais amo e admiro na vida diz “nós podemos ser heróis” e, de fato, podemos. Mas sabe, nem todos os heróis vão à luta armada. Muitos deles (os mais corajosos), tão somente amam, de maneira incondicional, ao próximo. E é justamente essa a chave para a mudança.

Enquanto não aprendermos o que é o amor, jamais seremos livres. E a única pessoa que pode salvar o Brasil nesse momento, é você.

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Eterna aprendiz enquanto terrestre. Escrevo sempre que posso, cuido das obrigações nas horas vagas.

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