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Essencialismo: 6 passos para aumentar a sua produtividade

Um dos maiores desafios que enfrentamos atualmente é a administração do nosso tempo: muitas coisas acontecem de modo muito rápido e concomitantemente; pode ser muito difícil conciliar todas as atividades que você precisa (ou acha que precisa) desempenhar com o tempo que você tem.

Não raro, nos sentimos, ao mesmo tempo, excessivamente atarefados e improdutivos. Isso porque estar ocupado não é, necessariamente, sinônimo de ser produtivo. De modo geral, aliás, assumir mais compromissos do que estamos realmente aptos ou dispostos a atender, justamente nos torna ineficientes e frustrados.

A chamada “lei do maior esforço” é altamente valorizada (e talvez até um pouco distorcida), especialmente nos ambientes profissional e estudantil. Acontece que não é uma verdade absoluta que aquele cujos esforços forem maiores, terá maior êxito.  Em realidade, o êxito depende de uma série de fatores, como o foco, a disciplina, a consistência e, principalmente, a escolha.

Nesse sentido, o minimalismo ou essencialismo (termo utilizado por Greg McKeown em sua obra “Essencialismo – a disciplinada busca por menos”) proporciona um entendimento bastante peculiar: para obter mais, faça menos. Isto é, para que os esforços empreendidos gerem resultados efetivos, direcione-os ao essencial, a fim de que preciosidades como o tempo, o dinheiro e a energia vital não sejam despendidos arbitrariamente.

Após a leitura do livro de Greg McKeown, decidi transcrever 6 passos indispensáveis para gerar mais produtividade por meio do minimalismo.

1 – estabelecer um objetivo

Lendo uma das obras de Mario Sergio Cortella, me deparo com a seguinte proposição: “prioridade é uma palavra sem plural”. A reação imediata foi pensar que se tratava de uma brincadeira, afinal “prioridades” é um plural bastante utilizado. No entanto, o autor explica que, ao colocar um “s” na palavra prioridade, esta perde sua prevalência, porque deixa de ser o empreendimento principal, e passa a ser apenas mais um empreendimento.

Uma das ações principais para que você consiga ter um bom rendimento por meio de comportamentos essencialistas é justamente esse: estabeleça a sua prioridade – sem plural. Tenha um objetivo em mente, seja esse a curto, médio ou longo prazo. Isso possibilita que você tenha mais clareza sobre que atitudes tomar para atingir essa meta.

É claro que nem sempre é fácil escolher uma, dentre tantas coisas importantes, mas a escolha é uma etapa fundamental para que todas as ações posteriores sejam realizadas a fim de alcançar o objetivo final.

Se você tem dúvidas a respeito de duas ou mais possibilidades, o melhor conselho que posso oferecer é: use a sua intuição. A intuição é uma espécie de impulso – mas que nem sempre aparece de imediato – e é resultado da nossa memória quântica (sim, quântica de física quântica mesmo).

Existem muitas formas de desenvolver a intuição. Uma prática de que sou adepta é escrever (ou até mesmo imaginar a palavra escrita) todas as possibilidades e colocá-las à minha frente. Fico observando até que uma das palavras “prenda” a minha atenção. Essa sempre é a escolha certa.

2 – eliminar tarefas, compromissos e ações que não se encaixam com o seu objetivo

É recorrente nos comprometermos com algumas coisas sem realmente querer participar delas. Encontros com pessoas de quem não gostamos, eventos nos quais não nos sentimos confortáveis ou felizes ou mesmo trabalhos que não queremos realizar.

É claro que, em se tratando de trabalho, existem situações de que dificilmente conseguiremos escapar por simplesmente não querer. Embora todo trabalho ou emprego tenha algum aspecto negativo, no entanto, é sempre bom avaliar se esse aspecto não está se sobrepondo aos pontos positivos desse trabalho.

Nem todo mundo tem o privilégio de poder trabalhar com o que ama, e isso infelizmente é verdade. A muitas pessoas, sequer são apresentadas outras perspectivas que não aquelas em que elas trabalham ou vivem e, por isso, pode ser mais difícil encontrar um espaço para fazer somente o que se gosta.

Eu, por exemplo, trabalhei como professora de inglês durante 2 anos. Gostei muito de dar aula para algumas turmas, para outras, nem tanto. Mas trabalhei estritamente por necessidade. No segundo ano, contudo, percebendo que não era exatamente o que eu queria para a minha vida, me dediquei nas horas vagas (ou melhor: das 5 às 8 de cada manhã) a estudar aquilo que eu realmente amo. E além de trabalho e estudos, eu ainda fazia faculdade.

Para otimizar meu tempo, além de começar a acordar mais cedo, também “deixei” de atender a vários “compromissos”. Não participava de nada que não me interessasse realmente ou que não fosse obrigatório.

Eliminando todas as tarefas de que não precisava para o crescimento intelectual que eu buscava (e ainda busco), consegui, em meio ano, aprender um novo idioma, aprender a fazer yoga e dar início ao meu projeto de vida. Ser uma pessoa privilegiada com certeza ajudou muito, mas tenho certeza de que todas as pessoas podem se direcionar àquilo que amam se tiverem persistência.

3 – eliminar distrações

Distrações são todas as coisas que comprometem o foco. Elas podem estar presentes no ambiente de trabalho, criação ou estudo, como podem ser situações à parte, que acabam comprometendo a produtividade indiretamente.

Atualmente, o maior desafio que temos de enfrentar em termos de distração é o celular, e digo isso com (in)tranquilidade. A todo o momento, impulsivamente, checamos o celular e com muita facilidade nos perdemos nas redes sociais. Mesmo quando só damos uma rápida olhada no feed ou nas notificações, estamos perdendo tempo.

Além do efeito psicológico causado pelos smartphones e seu sistema de recompensa, as ondas eletromagnéticas emitidas por esses aparelhos podem interferir na nossa concentração e até mesmo na saúde.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Chicago concluiu que a mera presença do smartphone perto da pessoa é capaz de reduzir sua capacidade cognitiva. O estudo, embora reconheça muitos benefícios práticos dos smartphones, sugere que esses mesmos benefícios custam habilidades cognitivas.

4 – manter-se organizado

A organização, tanto do ambiente de trabalho ou estudo quanto da mente, facilita todo o processo de produtividade, porque (1) num ambiente confortavelmente organizado você não precisa se preocupar com objetos e afazeres que, de cima da mesa ou do chão, insinuam que você precisa recolhê-los, completá-los ou lembram outras coisas que você deveria ter feito e ainda não fez e (2) uma mente organizada e ciente do que está fazendo no Agora é uma mente mais concentrada e tranquila, que não se deixa tomar pela ansiedade do que ainda tem que ser feito.

Para manter o ambiente organizado, eu utilizo uma única regra: guardar todas as coisas nos seus devidos lugares assim que eu terminar de utilizá-las. Isso evita que a acumulação de objetos em lugares inapropriados que, eventualmente, causariam ansiedade.

Organizar a mente exige, no meu ponto de vista, um pouco mais de esforço, porque é necessário avaliar e mudar hábitos que, muito provavelmente, temos há muito tempo. Para manter a minha mente calma, de modo que eu consiga me concentrar em uma tarefa por vez, eu utilizo um planner (uma agenda ou caderno também serve), onde anoto todas as tarefas que preciso terminar até o final de cada dia, semana e mês.

Visualizar todas as minhas tarefas permite que eu estabeleça o horário mais adequado para realizar cada uma delas e, dessa forma, enquanto estou fazendo uma coisa, não fico pensando nas outras coisas que tenho para fazer, visto que cada uma já tem o horário prescrito – isso ajuda muito na concentração.

5 – terminar tudo o que começar

Outra coisa que eu faço para me manter organizada e sem a sensação de ansiedade causada pelas mil atribuições que, às vezes, são inevitáveis, é obedecer a uma lei básica que aprendi com o meu pai: termine tudo o que começar.

Mesmo que você tenha dado início a uma tarefa e, no meio do caminho, seja abatido pelo desânimo, seja persistente e termine, porque a satisfação de completar essa tarefa compensará – e muito –  o seu esforço. Você não vai precisar se preocupar com aquele afazer outra vez.

6 – escolha deliberadamente fazer menos

Precisamos fazer escolhas diariamente: o que comer, o que comprar, o que vestir… e não é muito comum escolhermos o que não comer, comprar ou vestir, porque, embora a gente passe o dia inteiro ocupado, é recorrente sentir-se improdutivo ao final do dia.

Isso acontece sobretudo porque não estamos fazendo o que queremos – e tampouco o que precisamos fazer. Passamos a maior parte do nosso dia fazendo coisas de que não gostamos, para agradar pessoas por quem não temos afeto, sempre colocando nossas paixões em segundo plano.

Escolher fazer menos indisciplinadamente é ser preguiçoso; é deixar que os outros decidam por você, o que causa um impacto extremamente negativo. Agora, escolher deliberadamente fazer menos em prol de um objetivo maior (e que atenda aos seus interesses) é ser inteligente.

Nossas escolhas devem ser ativas: precisamos nos impor perante as situações que a vida pessoal, o trabalho e os estudos nos apresentam. Ao escolher participar ou não de um grupo de estudos, por exemplo, você está determinando a importância desse estudo. Se ele for relevante para o que você QUER fazer, a decisão deve ser positiva, do contrário, você já sabe o que decidir.

Tenha em mente que as suas escolhas, muito mais do que o número de tarefas que você desempenha no dia a dia, determinam para onde você vai. Você pode ser um empregado altamente produtivo em uma loja de roupas, mas o que realmente queria estar fazendo é desenhar. Faça escolhas que abram os seus caminhos para a sua arte.

Enquanto não puder se manter trabalhando só com aquilo que você quer, saiba dosar o seu tempo: um pouco para o trabalho, um pouco para o seu aperfeiçoamento.

Ser um essencialista é focar a atenção e os esforços naquilo que nos leva ao nosso objetivo principal. Esse objetivo pode ser substituído por outro, ou outros, sempre que essa for a nossa vontade. O importante é escolher fazer menos do que não gostamos ou precisamos para, então, ter tempo e energia para ser e fazer o que gostamos e queremos.

 

 

3 Comments

  1. Parabéns! Amei esse texto.. muito bom ler tuas colocações, veio ao encontro de algumas coisas q estou colocando em prática.

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