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Como aprendi a meditar – aprenda com 7 passos simples

Experiência pessoal

A meditação vinha se insinuando, invadindo minha percepção através de livros, conversas e “coincidências”, desde os meus 11 anos de idade. Qualquer caminho que escolhesse me levava a ela. Foi apenas com 21 anos, no entanto, que eu compreendi o que é meditar.

Já meditava há muito tempo – antes mesmo dos 11 anos – sem saber que o fazia. Ficava horas encolhida no chão do meu quarto, sozinha, fazendo qualquer coisa que prendesse minha atenção enquanto minha mente (aquela vozinha mais baixa e traiçoeira) ia desvanecendo, se apagando.

Quando tentava meditar propositalmente, por outro lado, minha mente se mostrava mais acordada do que nunca. E durante 10 anos eu tentei meditar, sempre desistindo momentos depois de começar, por uma única e simples razão: eu acreditei num conceito errado, ou no mínimo raso, de meditação.

Meditação não tem conceito

Não se pode resumir em um conceito, uma frase ou sequer num texto; a meditação é mais sobre sentir mesmo. Acontece que eu lia repetidamente  que meditar era não pensar em nada e encontrar a paz interior.

Tentava não pensar, mas me parecia que a cada tentativa, mais eu pensava. Assim vivi por 10 anos: intercalando os momentos de interesse e desinteresse pela meditação, quando, finalmente, através de mais “coincidências”, a resposta para os meus anseios escancarou-se aos meus olhos.

Meditar é estar tão profundamente concentrado no momento presente e em si mesmo, a ponto de quaisquer armadilhas egóicas ou impulsos da mente não mais terem importância; é sentir a Unidade em si – somos todos manifestações de uma única força.

Como, no entanto, chegar ao ponto em que o pensar torna-se diminuto e dá lugar ao sentir? Depois de muitas leituras – e de ainda mais tentativas – eu me adaptei a uma forma particular de atingir o estado meditativo, que consiste em 7 estágios. Repeti, dia após dia, essa sequência, até que corpo e mente se adaptaram à prática. Meditar não é difícil, embora exija persistência.

Leituras realizadas

Muito embora meditar seja mais sobre prática do que sobre teoria, encontrar materiais de apoio é, na minha opinião, de grande ajuda. Além disso, por meio da leitura a meditação perde um pouco do seu caráter abstrato – que foi justamente o problema que enfrentei ao pensar que meditar era simplesmente não pensar em nada.

Alguns dos livros que li e que indico para quem procura saber mais sobre meditação são:

Meditar Transforma – Amanda Dreher

Aprendendo a silenciar a mente – Osho

Carta ao meditador iniciante – Sally Kempton

O poder do silêncio – Eckhartt Tolle

7 passos para meditar

Passo 1: postura

A meditação, além de proporcionar tranquilização à mente e ao corpo, é um trabalho energético: os chakras do corpo humano têm centros de entrada e saída de energia, por onde a energia vital flui e é revitalizada durante a prática meditativa.

Para que esse trabalho seja bem sucedido, é necessário estar com a coluna alinhada e na posição vertical (por isso é preciso meditar sentado). Mas você não precisa, já de cara, sentar-se como um monge.

Utilize acessórios que o ajudem a manter a coluna reta. Você pode meditar sentado confortavelmente em uma cadeira ou, se preferir, pode sentar no chão e apoiar as costas na parede, utilizando também almofadas ou uma esteira para dar maior suporte e conforto ao quadril.

Passo 2: respiração e foco

O estado meditativo, em sânscrito, é chamado Dhyana. Essa palavra não tem uma tradução exata para o português e, como o próprio Osho cita em “Aprendendo a silenciar a mente”, esse estado é comumente confundido com “concentração”. Meditar não é tão somente se concentrar, trata-se de um estado ainda mais profundo. Não obstante, é através da concentração – do foco – que se alcança Dhyana.

É muito importante que você se concentre na sua respiração. Isso traz consciência ao corpo e eleva a consciência a um estado de calma-alerta (expressão utilizada por Eckartt Tolle). Respire profundamente, com calma, até sentir-se mais tranquilo. Uma técnica que uso com frequência é inspirar o ar e repetir mentalmente que, ao inspirar, absorvo a calma e, ao expirar, solto qualquer tensão ou nervosismo presente no meu corpo.

Funciona mais ou menos assim

INSPIRO – “absorvo a calma”

EXPIRO – “solto toda a tensão”

Repito esse processo até que eu me sinta realmente tranquila e esteja presente no momento, sem deixar a mente me atrapalhar com pensamentos sobre o que tenho que fazer depois ou coisas do tipo.

Depois de um tempo, já calma e em meditação, deixo a respiração fluir naturalmente, sem me preocupar se estou respirando lenta ou rapidamente. Mas a atenção à respiração está sempre (ou quase sempre) presente, porque a respiração é o meio pelo qual flui (incessantemente, mesmo quando não estamos meditando) a nossa energia vital (Prana).

Passo 3: mantras

Depois de meditar por muito tempo, atingir o estado meditativo ocorre naturalmente, sem que seja necessário repetir mantras ou ouvir meditação guiada. Até isso acontecer, no entanto, uma das formas mais eficientes e benéficas que encontrei para “desligar” a constante conversa mental foi repetir mantras mentalmente.

Um mantra é uma espécie de “cântico”, uma sílaba ou verso que é repetido. Você pode repetir mantras hindus ou até mesmo repetir alguma frase com que se identifique e sobre algo que queira atrair para a sua vida.

O mantra correto possui uma sensação de conforto que nos permite facilmente focar no interior (…) o mais conhecido de todos é o Om – Sally Kempton

Você pode colocar um mantra nos fones de ouvido, ouvindo alguém repeti-lo, e pode também repetir sozinho. Por exemplo: “eu sou uma pessoa calma, tranquila e focada”. Enfim, você pode criar um mantra que se encaixe com aquilo que deseja atrair – o importante é (1) acreditar nele e (2) dizê-lo como algo já conquistado.

Passo 4 – volte sua atenção a um ponto específico

Esse passo é uma alternativa ao passo anterior. Você pode, ao invés de utilizar mantras, prestar atenção em um ponto central do seu corpo, como o seu coração ou o terceiro olho (no centro da testa).

Eu faço muito isso, depois do foco na respiração. Presto atenção naquele local e percebo, com os sentidos, como ele está se “comportando”. Quando minha atenção se volta ao coração, é comum eu sentir e imaginar uma luz sendo irradiada por ele – deixo que minha intuição dê cor a essa luz por meio da imaginação.

Quando volto a atenção para o terceiro olho, geralmente meus olhos, ainda que fechados, se voltam também para esse ponto, de modo que eu “enxergue” luzes, cores, mandalas e afins. Também nesses casos deixo que minha intuição (através da imaginação) atue livremente – não dito cores nem formas.

Passo 5 – como lidar com distrações

Eventualmente, você pode ser incomodado por algumas distrações. Barulhos, coceiras e desconforto são comuns especialmente para quem está iniciando. Quando isso acontecer, mesmo que você pareça sair do estado meditativo, não desista da meditação nesse momento.

Tudo o que você tem que fazer é voltar novamente ao passo 2: mantenha o foco na respiração até que você esteja novamente tranquilo e possa prosseguir.

Se pensamentos negativos ou que gerem ansiedade comecem a aparecer, não se apresse em “não pensa-los”, apenas observe eles (e observe também as sensações com que seu corpo reage a eles), deixando-os partir logo em seguida. Não se apegue a eles e não os alimente. Simples assim.

Passo 6 – mergulhe no seu interior

Uma vez que você empreendeu seus esforços em cada um dos passos anteriores, a conexão com o seu eu interior será uma simples, pura e inevitável consequência. Nesse estágio, você não precisa se preocupar em pensar no que “precisa ser curado”, porque o seu subconsciente estará fazendo esse trabalho por conta própria.

Ainda que tudo o que você imagine pareça sem sentido, ou mesmo que você não imagine nada, suas ondas cerebrais já estarão fazendo o trabalho de reprogramar a sua mente, livrando-a de pensamentos negativos e padrões nocivos.

Passo 7 – prática consistente, regular e persistente

Talvez as primeiras tentativas sejam um pouco frustrantes, não por serem difíceis, mas por serem estranhas aos seus costumes. Mas não desista! A meditação tem tantos benefícios para o corpo e a mente, que desistir dela nem deveria ser uma opção.

Lembre-se de que você tem o seu tempo, e não há prazo para que você aprenda a meditar. Tudo o que a meditação vai exigir de você é persistência: pratique todos os dias, por 5 minutos que seja.

E sempre que quiser ou precisar de um auxílio, você pode me contatar pelo e-mail do blog ou até pelas minhas redes sociais. Ficarei muito feliz em contribuir! Não hesite em me chamar.

Comenta aí se tiver contribuições ou dúvidas.

Vamos meditar! <3

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