Artigos, Meditação, Vida (d)escrita
Comments 4

Por que subestimamos o poder da meditação?

Antes de começar, esclareço que essa leitura não é para pessoas que buscam desculpas para não meditar ou que sequer têm interesse na prática, mas para aqueles que têm consciência de que são mais do que um corpo físico dotado de identidade, sexo e status social; é para quem se reconhece como um ser único em essência e, ao mesmo tempo, como parte indispensável do universo como um todo. Afinal é isso o que somos todos nós.

Não é novidade alguma que o ato de meditar é capaz de promover incontáveis benefícios à saúde, seja esta mental, física ou emocional. Muito embora, nos últimos anos, a meditação venha ganhando espaço no ocidente, ela ainda é amplamente descreditada pela maioria das pessoas.

Algumas das razões desse descrédito, presumo, sejam: 1) a simplicidade do método que, justamente por ser tão inteligível e acessível, contrapondo-se ao senso comum criado em torno da ciência e medicina – de que tudo deve ser moderno e tecnológico – acaba por gerar uma falta de confiança na prática e 2) em contradição à primeira razão, apesar de se tratar de um exercício simples, em teoria, as pessoas têm bastante resistência e dificuldade em meditar, porque não sabem como fazê-lo ou então porque não encontram resultados imediatos.

Apesar disso, há muito mais razões para que você insista na prática da meditação do que para desistir ou não se importar com ela. Minha missão é desmistificar algumas noções e simplificar o que é meditação, como e por que meditar.

O que é meditação?

“Dizer alguma coisa sobre meditação é uma contradição. Meditação é algo que você pode ter, que você pode ser, mas por sua própria natureza não é possível dizer o que ela é. Ainda assim, diversos esforços foram feitos para falar sobre meditação. Se apenas um conhecimento fragmentado e parcial for possível a partir dessas tentativas, já é muito. Ainda que parcial, essa compreensão pode se tornar uma semente. Isto depende muito de como você ouvir: se apenas escutar as palavras, sem prestar atenção, então nem mesmo um fragmento chegará até você. Mas se você ouvir atentamente, compreenderá.” – Osho

 

Osho aduz que não se pode delinear o que é a meditação, uma vez que tentar defini-la seria contraditório: por vezes a meditação é compreendida como um estado de concentração absoluto, entretanto, como o autor esclarece em “Aprendendo a silenciar a mente”, a concentração não é um estado meramente mental.

O ato de meditar transcende os limites da mente, criando um estado que, “em sânscrito, é chamado Dhyana. Enquanto a concentração nos permite focar a atenção a um objeto determinado e, a partir da observação, compreender seus aspectos fundamentais, o dhyana nos permite penetrar em nossa própria essência, observando o que realmente somos”.

Uma das definições que mais me ajudou a compreender de maneira palpável os aspectos, até então, abstratos da meditação, foi dada por Eckhart Tolle quando ele explica que a meditar é estar presente no Agora, entendendo que só o Agora existe e que, portanto, é sempre agora.

Ao atingir o estado meditativo – o que pode demorar algumas tentativas – você vai literalmente sentir o que é meditar. Você vai adentrar um estado de tranquilidade em que, mesmo calmo, estará consciente e atento ao momento, percebendo todas as sensações físicas do seu corpo ao mesmo tempo em que elas perdem a importância; sentindo toda e qualquer alteração no seu estado emocional; compreendendo e transmutando cada sombra em luz.

Você pode aprender a meditar acessando este post!

Benefícios da meditação

Imunidade

Nosso sistema imunológico responde aos nossos pensamentos. Uma pessoa que pensa coisas positivas em relação ao seu corpo e à sua saúde, portanto, tem uma correspondência física positiva.

A meditação desenvolve uma atmosfera mental positiva, ambiente que possibilita o aumento da imunidade por meio dessas correspondências do sistema imunológico com a mente.

A universidade da califórnia, UCLA, pucblicou um estudo que analisou pacientes com HIV (positivo). A pesquisa concluiu que os pacientes que praticavam meditação tiveram uma diminuição na redução de células CD-4 (células do sistema imunológico associadas ao impedimento da propagação do vírus).

Meditar estimula as regiões cerebrais responsáveis pelo funcionamento do sistema imunológico, como o córtex pré-frontal, a ínsula anterior direita e o hipocampo direito – áreas que controlam emoções, a atenção e a ansiedade.

Redução do estresse e da ansiedade

Um estudo chamado “Como a meditação reduz a ansiedade a um nível neutro?” concluiu que a meditação pode, de maneira significante, reduzir a ansiedade e a depressão em pacientes que apresentem esses prognósticos. Segundo Fadel Zeidan, Ph.D em neurobiologia e anatomia:

“Os resultados deste experimento de neuroimagem complementam o crescente conhecimento sobre os benefícios do treinamento da atenção plena, demonstrando alívio relacionado à meditação em pessoas saudáveis”.

Zeidan ainda explica que são necessários poucos minutos por dia para atingir uma neutralidade em relação aos sintomas de depressão e ansiedade.

O mal do século, segundo um professor incrível com quem tive a oportunidade de cursar hipnoterapia objetiva, Elias Lins, é a ansiedade. Se introduzirmos a cultura da meditação às nossas crenças e à nossa medicina, todo o dinheiro, o tempo e a vida desperdiçados em medicamentos que, além de não curar a depressão e a ansiedade, ainda as pioram, podem ser investidos no que realmente é importante para cada um de nós.

Maior foco e concentração

De acordo com os estudos de Pangoni, a meditação dá maior estabilidade mental aos praticantes do que os níveis de que pessoas não praticantes, em geral, dispõem.

Para atingir esses resultados, Pangoni observou e comparou dois grupos de pessoas: um grupo formado por indivíduos que meditam regularmente e o outro por pessoas que nunca meditaram. Ambos os grupos dispunham de participantes com o mesmo grau de escolaridade e idade.

Em termos mais “científicos”, os meditadores demonstraram possuir mais estabilidade em seu córtex póstero-medial ventral, região relacionada aos pensamentos espontâneos. Essa estabilidade ajuda a lidar com os pensamentos aleatórios e até mesmo indesejados que surgem em momentos que demandam concentração.

Resiliência para atuar diante das dificuldades

A resiliência é a capacidade de agir nas situações difíceis, mantendo-se firme em relação a propósitos e valores. Muitas vezes, diante de dificuldades, nos vitimizamos ou nos enfurecemos quase que automaticamente, e a meditação nos dá, justamente, uma ou várias perspectivas novas sobre os problemas.

Por meio da prática meditativa, adquirimos a curto, médio e longo prazo, a capacidade de observar cada situação com calma. Por experiência própria, posso dizer que desde que comecei a meditar, tenho me portado cada vez melhor diante das adversidades.

É claro que, muitas vezes, será inevitável sentir-se bravo, triste ou eufórico, e não há nada de errado com isso. O papel da meditação não é impedir os sentimentos, mas simplesmente nos permitir atuar conscientemente mesmo em meio a emoções.

Desenvolvimento da compaixão

O mundo inteiro precisa de mais compaixão – urgentemente. Mas uma coisa muito importante que aprendi é que jamais vamos mudar o mundo sem mudar, primeiro, a nós mesmos.

Embora possamos nos considerar pessoas humildes e solidárias, basta olhar para o nosso interior para perceber como, muitas vezes, deixamos o egoísmo ofuscar nossa compaixão. E isso acontece nas mais pequenas atitudes, que parecem nem importar, mas importam.

Então realmente não adianta nada apontarmos o dedo para a falta de compaixão do outro. Temos que, ao contrário, desenvolver nossa própria compaixão e, a partir disso, acolher mais pessoas com esse sentimento.

Como a meditação modifica isso? Bem, segundo pesquisas realizadas por monges tibetanos (que acessei lendo “Meditar Transforma” – Amanda Dreher), a meditação suprime a atuação do córtex parietal, que é responsável pelo senso de individualidade.

Dessa forma, desconectamo-nos do ego e de suas armadilhas, dando espaço para que, em nosso interior, a compaixão – e todos os sentimentos dela decorrentes – cresçam e estejam mais presentes em nossas ações posteriores.

Por que o ocidente subestima as práticas meditativas?

Em muitas regiões, no oriente, a meditação faz parte da cultura dos povos. Por que, no ocidente, essa cultura ainda não atingiu a grande maioria da população? Sendo uma prática simples e comprovadamente eficaz, por que ainda descreditamos a meditação para solucionar nossos problemas?

Começando pelas tradições, o ocidente se porta de maneira muito diferente, e isso inclui a alimentação, as religiões e os costumes. Por muito tempo, não tivemos amplo acesso a esse tipo de conteúdo e nem credibilizamos a meditação, porque os povos ocidentais foram quase sempre motivados por razões diferentes das orientais.

Enquanto os povos orientais valorizam a espiritualidade, os ocidentais agem mais racionalmente, tendo como o cerne de suas preocupações aspectos econômicos e sociais. Isso não ocorre desde o início dos tempos. Essa cultura foi largamente incentivada pelas colonizações (exploração, genocídio e tantas outras atrocidades), quando muitas culturas foram dizimadas para atender padrões criados pelos homens e, mais tarde, por conteúdos disseminados pelos mais diversos veículos de comunicação.

Descreditamos a meditação porque ela não faz parte da ideia que construímos sobre desenvolvimento: meditar é simples! E o ocidente procura um certo tipo de luxo, que na realidade é apenas ilusório.

A cultura ocidental se preocupa com ciência e modernidade. Ocorre que, sem que se perceba, vivemos em um círculo vicioso em que surgem doenças, são desenvolvidos medicamentos, são vendidas essas soluções mas, esses mesmos medicamentos causam outras doenças, para as quais precisamos de novos medicamentos.

Isso não se aplica somente à medicina, visto que constantemente precisamos comprar coisas para solucionar problemas (ou tapar buracos?) que não existiam antes. A cultura ocidental está perigosamente contaminada pelo ego, e é por isso que precisamos tanto da meditação!

Todos os inventos ocidentais servem tanto para propósitos bons quanto para os maus: a energia nuclear, que pode ser usada para gerar progressos, foi utilizada para dizimar populações; as pesquisas científicas são financiadas para gerar os resultados esperados; o meio ambiente é destruído para gerar lucro…

De que nos serve toda a inteligência e racionalidade se não somos capazes de compreender a nós mesmos?

Meditar é reencontrar a nossa essência, mais do que adquirir qualquer benefício mental ou físico. E o ocidente não vê a importância disso – ou, talvez, tenha medo das sombras que pode encontrar dentro de si.

 

 

4 Comments

  1. Margaret Mocelini says

    A meditação acredito ser um dos rumos mais acertados na educaçáo, em nos formarmos como seres humanos. Somente pelos métodos de silêncio interno e de olhos bem abertos é que realmente compreenderemos nossa verdadeira essência e despertaremos para florescer a missão de vida. Adorei sua escrita…

  2. Nelis Zeni Unzler says

    Nossa Bibi, muito interessante sua colocações. Pena que a gente sempre deu pouca importância para essa prática tão importante de meditar. Mas nunca é tarde para começar…Como dizia uma velhinha na hora da morte segurando um tição aceso nas mãos: Morrendo e aprendendo! Se quiser saber a história eu te conto…. Brava menina do meu coração. Parabéns e sucesso sempre.

  3. Não tenho esse hábito, mas confesso que me atrai muito e pretendo buscar mais conhecimento. Parabéns Bibi

  4. Preciso de disciplina. O fato é que meditar é ótimo, já consigo e os benefícios são muitos. Parabéns pela dedicação, determinação, por todo o estudo e, principalmente por escolher esse estilo de vida.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.