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AFOTS – uma nova forma de ativismo pelos animais + minha experiência

Recentemente, assistindo a um vídeo no canal do Vegano Vitor, conheci a hashtag #animalsfirstonthesecond, que em português seria “animais primeiro no segundo”, e faz referência a uma forma de ativismo, que é realizado no segundo dia de cada mês.

Resolvi aderir à proposta e vou contar um pouco sobre ela e sobre minha experiência.

O que é AFOTS?

AFOTS (animals first on the second) é uma campanha para empreender uma forma inovadora de ativismo em prol da abolição da exploração animal: no segundo dia de cada mês, os ativistas fazem um jejum de 24h, em que consomem apenas água ou líquidos não calóricos, homenageando os animais que, antes de serem assassinados nos matadouros, não recebem nenhum tipo de alimento.

#animalsfirstonthesecond

Os ativistas desenham sobre as costas da mão um símbolo formado por um círculo e colocam um X no centro, que simboliza um prato com os talheres cruzados, representando o ato de jejuar. Além disso, para promover a campanha, cada ativista posta uma foto nas redes sociais mostrando o símbolo, geralmente tapando a boca com a mão em que ele está desenhado, demonstrando o sofrimento silencioso dos animais abatidos.

Há quem diga tratar-se de uma modalidade muito radical de ativismo, no entanto, um jejum de 24h dificilmente (para pessoas saudáveis) vai causar malefícios – aliás, muito pelo contrário. Existem muitos estudos que comprovam os diversos benefícios do jejum, como você pode conferir aqui.

Não obstante, a exploração animal é – isso sim! – radical e desumana, enquanto o AFOTS propõe uma mensagem, ao mesmo tempo silenciosa e gritante, de compaixão e empatia pelos animais.

Eu, particularmente, acredito no Animals First on the Second porque ele não força interações entre ativistas e não ativistas; a ação desperta curiosidade e, justamente partindo desse ponto, os diálogos fluem naturalmente. Surge aí uma oportunidade para que os ativistas expliquem um pouco sobre especismo, vegetarianismo, veganismo e afins.

O gesto simbólico do jejum, além de homenagear a vida dos animais e entusiasmar o sentimento de empatia, propicia a disseminação de informação a todos aqueles que vierem a se interessar, voluntariamente, pela prática, que fica registrada nas redes sociais dos ativistas.

Minha experiência

Sou adepta à prática de jejuns há mais de um ano e, portanto, o jejum proposto pelo AFOTS não foi uma experiência nova no sentido físico. Ainda assim, com relação às sensações físicas, posso garantir que um jejum de 24h não é difícil de se fazer.

Para ajudar no processo, sempre procuro beber muita água, chás e café, assim distraio a mente das eventuais (e também passageiras) sensações de fome.

Utilizar o jejum para os fins propostos pelo AFOTS, contudo, proporcionou uma vivência muito especial: a cada vez que olhava para o símbolo desenhado em minha mão, lembrava-me do propósito daquela ação. Isso não só me deu mais motivação para as 24h de jejum, quanto me fez sentir de maneira intensa os meus “porquês”.

O cotidiano, abastado com as mesmices da rotina e, por vezes, amuado por dificuldades, causa um esquecimento, uma reprodução de hábitos desapaixonada, em que fazemos tudo no automático – até mesmo os jejuns – e descuidamo-nos dos motivos, da consciência na ação.

A experiência propociada pelo AFOTS me fez relembrar por que sou vegana e por que acredito no veganismo; lembrou-me, inclusive, de outras desigualdades quase tão cruéis quanto o especismo, a que muitos humanos são constantemente submetidos para sustentar violências estruturais reproduzidas em nossa sociedade; lembrou-me de quem sou e por que estou aqui – não é para desfrutar de prazeres tão passageiros quanto o sabor de um animal usado injustamente como ingrediente.

Toda a vivência foi válida e digna de se tornar um hábito, mas prefiro executá-la novamente como ação consciente, revisando minhas convicções e reconstruindo meus porquês.

Convido a todos para aderirem ao movimento no próximo dia 02 – independentemente do dia em que estiverem lendo isso.

Por fim, gostaria de declarar meu mais profundo respeito a todos os seres. Acredito no amor e em seu poder de cura – não há outro caminho que não seja o do amor. Amor e respeito aos processos e ao tempo de cada um de nós.

Considere o veganismo. Respeite o seu tempo. Mude para melhor, um pouquinho a cada dia.

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