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7 lições que aprendi lendo “O monge e o executivo”

Já li e ouvi várias críticas sobre o livro “O monge e o executivo”. Muitas delas têm relação com o enredo: as resenhas apontam uma pobreza nesse sentido, bem como um aspecto óbvio quanto à figura dos personagens.

Ainda que eu não discorde da simplicidade do roteiro, acredito que isso não torna a obra ruim – ao contrário, na minha opinião, a torna acessível, porque conversa, inclusive, com aqueles leitores que preferem livros mais diretos.

James C. Hunter não tentou criar uma grande história; o enredo foi, simplesmente, um cenário no qual ele desenvolveu vários conceitos e quebrou vários paradigmas sobre liderança. Além disso, o livro é cheio de insights legais que valem a reflexão.

A ideia trabalhada sobre liderança é que ela pode ser exercida em ambientes pequenos, como o lar, a sala de aula ou qualquer grupo que tenha objetivos comuns.

A história

O monge e o executivo fala sobre um executivo que, devido a problemas profissionais e pessoais, faz um retiro espiritual de uma semana, onde encontra um de seus maiores ídolos – que, então, tornou-se monge.

O roteiro não é rico em detalhes, tampouco causa surpresas; a história é apenas um pano de fundo, brevemente descrito, onde se desenvolvem as discussões sobre a essência da liderança. A parte sensacional é que todos os princípios trabalhados podem – e devem! – ser aplicados às nossas ações cotidianas.

O livro é composto por 7 capítulos, distribuídos em apenas 127 páginas. Cada capítulo corresponde a um dia de retiro no monastério e, presumivelmente – dado o título deste post -, traz uma lição diferente a respeito da temática.

1. A diferença entre poder e autoridade

No livro, a liderança é definida como “a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum”.

Muitos líderes estão em posição de poder que, por sua vez, é compreendido como a faculdade de coagir alguém a fazer sua vontade (por ocasião de força ou cargo), enquanto a autoridade é “a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal”.

O autor pontua que o bom líder é dotado de autoridade perante os liderados, e não (ou não apenas) de poder. A reflexão proposta no primeiro capítulo é: quem exerce/exerceu autoridade sobre você? Quais as características dessa pessoa?

Geralmente, a pessoa que tem autoridade sobre as pessoas é também aquela que as oferece confiança, compromisso, atenção, respeito e, de alguma forma, satisfaz suas necessidades.

2. Um novo paradigma sobre a liderança

Paradigmas são simplesmente padrões psicológicos (…) agarrar-se a paradigmas ultrapassados pode nos deixar paralisados enquanto o mundo passa por nós.

No segundo capítulo, o autor propõe uma reflexão acerca da seletividade que usamos para absorver as lições proporcionadas por cada experiência. A liderança, por exemplo, costumava ser exercida segundo o modelo hierárquico da pirâmide; embora isso tenha funcionado no passado, a experiência mostra que, hoje, esse modelo já não é o mais adequado.

Segundo o novo paradigma apresentado por Hunter, os líderes – cujo papel era somente exercer poder hierárquico -, hoje têm o dever de proporcionar aos seus subordinados todas as condições necessárias ao bom desempenho no cumprimento de suas funções, em outras palavras, identificar e satisfazer necessidades – e não vontades.

3. Intenções – ações = nada

Só quando nossas ações estiverem de acordo com nossas intenções é que nos tornaremos pessoas harmoniosas (…). A liderança começa com a vontade [intenção+ação] (…). É preciso ter vontade para escolher amar, isto é, sentir as reais necessidades daqueles que lideramos. Para atender essas necessidades, precisamos nos dispor a servir (…). Quando servimos, exercemos autoridade ou influência e, quando exercemos autoridade sobre as pessoas, ganhamos o direito de ser chamados de líderes.

Um ponto genial e muito importante explorado em O monge e o executivo é este: intenção – ação = nada. Isso quer dizer que nossas intenções (pensamentos, opiniões) não significam nada se elas não estiverem alinhadas com as nossas ações.

4. O amor como verbo

O amor é o que o amor faz


Em uma passagem do quarto capítulo, Hunter explica que o Novo Testamento da Bíblia foi escrito originalmente em grego, e que o termo “amor” (e.g. em: amar o próximo como a ti mesmo) fora traduzido equivocadamente.

A Bíblia fala do amor ágape: um amor baseado em comportamentos. Quando a Bíblia diz que devemos amar nossos inimigos, refere-se ao modo como nos portamos diante deles, pedindo para que os respeitemos e os tratemos com esse amor ágape, com respeito.

Portanto o amor que um líder deve dedicar aos seus liderados é o amor como verbo – a ação. Amar é servir (identificar e satisfazer necessidades); é respeitar; é prestar atenção aos demais.

5. A relação entre o desenvolvimento e o ambiente

O autor empenha uma metáfora um tanto quanto popular para explicar a importância de um ambiente próprio para o desenvolvimento individual e coletivo: a do jardim que, adubado, regado e cuidado, rende bons frutos.

Nesse sentido, promove-se uma reflexão sobre o que um líder deve fazer para garantir esse ambiente aos liderados. No ambiente doméstico e familiar, por exemplo, é fácil constatar que pessoas não têm um ambiente saudável.

Geralmente, pessoas sujeitas a um ambiente hostil, comportar-se-ão com agressividade ou passividade excessivas, enquanto as pessoas protegidas por um ambiente saudável, serão mais aprazíveis.

6. Precisamos fazer escolhas

Há apenas duas coisas na vida que vocês têm que fazer. Morrer e fazer escolhas.

O sexto capítulo trata das escolhas como atitudes inevitáveis; mesmo quando você não escolhe, está fazendo uma escolha – a de que terceiros escolham por você.

Conforme o entendimento do autor, nossas escolhas determinam nosso caráter. É possível escolher mesmo estando sob condições desagradáveis e sórdidas.

Aqui, há uma grande crítica ao determinismo (o entendimento de que todo o efeito tem uma causa que o justifica). Ainda que a relação causa x efeito não seja descreditada no livro, o autor diz que o determinismo nos faz repousar sobre desculpas e abdicar da nossa escolha de mudar.

O homem é essencialmente autodeterminante. Ele se transforma no que fez de si mesmo.

Exemplificando: algumas pessoas têm predisposições genéticas como o alcoolismo ou a obesidade, mas ainda assim, elas podem optar por prevenir tais predisposições através de suas escolhas e comportamentos.

7. A recompensa

Citando Jim Rohn, o livro ainda explica que “para cada esforço disciplinado, há uma retribuição múltipla”, o que quer dizer que nossas escolhas, transformadas em ações e, mais tarde, em hábitos, exigem esforço disciplinado, e que a recompensa se mostra em mais de um resultado.

Independentemente de que atitude temos diante das situações, colheremos os frutos daquilo que plantamos, como diz a lei da colheita. Portanto se nossas ações concordarem com as nossas boas intenções, a vida nos recompensará com a harmoniosidade das nossas relações pessoais e até mesmo materiais.

As 7 lições, embora direcionadas à essência da liderança, transcendem as limitações do roteiro de “O monge e o executivo”, e podem ser aplicadas a todas as áreas da nossa vida.

Ser uma pessoa coerente, compromissada, afetuosa, atenciosa e positiva é requisito para ser um bom líder, mas também é essencial para ser feliz.

2 Comments

  1. Oi, Bibi!

    Li “O Monge e o Executivo”. Penso que todas as pessoas que exercem alguma chefia/liderança deveriam lê-lo.
    “A Arte da Guerra” também é muito interessante.
    Beijos.
    Magda

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