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Consumo e identidade: de onde vem essa ideia de que precisamos comprar nossa personalidade?

O conforto de não questionar o que nos é imposto como necessidade é, de fato, aconchegante. Apesar de exaustivo, é mais fácil aderir ao ritmo em que nosso mundo se movimenta atualmente do que indagá-lo. Questionar requer esforço emocional e nós fomos, justamente, convencidos de que não há tempo nem espaço para sentir. Ainda na revolução industrial, com a ascensão da classe burguesa e seus ideais imediatamente posteriores (que prezam pelo livre-mercado e pela propriedade privada, dentre outros ideais igualmente problemáticos, sobretudo para os pobres), criou-se um problema: os avanços industriais e tecnológicos passaram a exigir do homem uma mecanização semelhante à das máquinas – mesmo quando seu trabalho é intelectual – e diante da mecanização surgem crises de identidade em massa. A mecanização das ações e das respostas exigidas pelo mundo segregada e altamente capitalizado, além do isolamento decorrente dessa mesma conjuntura, são o berço do ceticismo que até os dias de hoje embala a mentalidade humana. Existe um sentido para estarmos aqui? Se a morte é certa, por que me preocupar com uma …

Pare de tentar ser o que os outros esperam de você

Nunca li Hamlet, de Shakespeare. Ainda assim, sei que esse ensaio acolhe talvez uma das mais emblemáticas e célebres frases já escritas: ser ou não ser, eis a questão. Evidente que, dado seu uso quase que vulgar, nos dias de hoje, a sentença perdeu um pouco de seu carisma. Aliás, ouso dizer que qualquer frase que exija dos homens mais que mera assimilação, perde seu carisma na atualidade. Não porque as pessoas são menos inteligentes, mas porque estão, inegavelmente, mais alienadas. Aprendemos que é preciso estudar – aliás, não só estudar, mas estudar muito – afinal, queremos ser alguém na vida. Nesse tocante, jamais consegui entender se “ser alguém na vida” significa ser importante de alguma forma para a história da humanidade, ou simplesmente ser notado. De qualquer forma, estudamos muito, durante muitos anos. Aprendemos a escrever de acordo com a gramática; aprendemos a usar fórmulas matemáticas; aprendemos algumas propriedades químicas e aprendemos que corpo são e mente sã, são coisas complementares (daí a importância da educação física e afins). Aprendemos que tudo isso é …